Guloseimas ou travessuras?A hipótese de crianças gordinhas pedindo docinhos na minha porta todo dia 31 de outubro já seria motivo suficiente para comemorar não ter nascido nos Estados Unidos. "Guloseimas ou travessuras" é a frase mais estúpida que a humanidade já cunhou depois de "O Geraldo sem dúvida era a melhor opção", "Irã, Iraque e Coréia do Norte fazem parte do Eixo do Mal" e "Prometo colocar só a cabecinha". Infelizmente, o que há 15 anos era exclusividade de escolas de inglês das mais chatas virou parte do calendário brasileiro. Hoje fui trabalhar e a secretária gostosa estava vestida de vampira (espero sinceramente que no carnaval ela venha de cabrocha). Sem contar as inúmeras aranhinhas de brinquedo que forravam a redação.
Pois bem, reza a lenda que os Estados Unidos são detentores de uma cultura popular que tem par somente na brasileira. O problema é que, em termos de folclore do Tio Sam, o que me vêm à cabeça é essa coisa aborrecedora que convencionou-se chamar de Halloween, e aquele estranho hábito de vestir um capuz branco e pendurar uma cruz em chamas no quintal de uma família de negros. Creio que até o chupacabra, esse simpático exemplar do folclore popularesco tupiniquim, é mais saudável que os exemplos acima. Tem também aqueles caras que usam umas calças tão apertadas que devem ocasionar assaduras, e que ficam dançando música country com passinhos ridículos e segurando o chapéu.
Em verdade, prefiro entender a "riqueza da cultura popular" dos States como um fenômeno particular da música dos caras. Porque de música eles entendem pacas, quase tanto quanto a gente. Agora, se um dia vier um vizinho bater na minha porta no dia 31 de outubro perguntando por "guloseimas ou travessuras", juro que dou-lhe uma traulitada nos cornos tamanha que o cidadão vai bater na porta do próximo vizinho perguntando por "band-aid ou dorflex". A minha parte do Halloween eu quero em pinga.
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