“É esse o sentido da segunda pergunta”, responde o general, sem tirar a mão da maçaneta da porta. “Ei-la: o que ganhamos com nosso orgulho e nossa presunção? O verdadeiro significado de nossa vida não terá sido a atração irresistível por uma mulher que morreu? É uma pergunta difícil, eu sei. De minha parte, não sei o que responder. Em minha vida experimentei tudo, vi tudo, a paz e a guerra, coisas miseráveis e grandiosas; vi um covarde como você e um presunçoso como eu; vi desencadearem-se lutas e restabelecerem-se compromissos. Mas quem sabe se, no fundo, o significado de nossa vida e de todas as nossas ações não tenha sido o laço que nos unia a alguém que nos magoou – o laço ou a paixão, chame-o como quiser. É esta a pergunta? Sim, é esta. Gostaria que você dissesse”, prossegue baixinho, como se receasse ter alguém às suas costas escutando suas palavras, “o que acha disso. Não acredita que o significado da vida é simplesmente a paixão que um dia invade nosso coração, nossa alma e nosso corpo e que, aconteça o que acontecer, continua a queimar eternamente, até a morte? E não acredita que não teremos vivido em vão, se um dia sentimos esta paixão? É aí que me pergunto: a paixão é de fato tão profunda, tão má, tão grandiosa, tão desumana? Será que realmente é desejar uma pessoa específica, ou é apenas o próprio desejo? Será que consiste em querer uma criatura bem definida, a mesma e misteriosa criatura que pode ser boa ou má – tanto faz -, pois não são suas ações nem suas qualidades que vão modificar a intensidade de nosso sentimento? Esta é a pergunta. Responda, se for capaz”, diz, levantando a voz.
“Por que você me pergunta?”, responde calmamente o hóspede. “Você sabe muito bem que é assim.”
E examinam-se longamente, com atenção.
O general respira com dificuldade. Abaixa a maçaneta. O vestíbulo espaçoso está riscado de sombras e luzes ondulantes. Descem os degraus em silêncio, os criados correm até eles levando-lhes lanternas, o capote e o chapéu de Konrad. Diante do portão, as rodas do carro rangem no cascalho. Konrad e o general despedem-se em silêncio, com um aperto de mão e uma profunda reverência.
As brasas, Sándor Márai.
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