Toda vez que falam da Itália eu já logo penso no Pepino di Capri. É um processo mental. Pois foi justamente o Pepino di Capri que me veio à mente quando conversava com o amigo e ovelha Leandro Beguoci . Para quem não conhece, Beguoci é o nosso homem no Vaticano. Tem o Bento XVI no MSN e tudo mais. Há um ano foi para Roma falar com o Papa, comprar sapatos e acabou voltando cheio de CD´s da Laura Pausini. Adora falar sobre a Itália.
Eu também gosto de falar sobre a península. Quando pequeno, eu achava a Itália o máximo. Primeiro, aprendi a gostar de futebol assistindo ao Campeonato Italiano (cito de cabeça a escalação da Internazionale campeã da Uefa em 1990-91: Zenga, Bergomi, Ferri, Paganin e Brehme; Battistini, Berti, Bianchi e Matthäus; Klinsmann e Serena). Segundo, minha mãe ouvia Pavarotti, Emilio Pericoli e Gigliola Cinquetti enquanto fazia macarrão no domingo. Logo, para o caçula dos D´Angelo Vives, tudo que vinha da Itália era enorme, estupendo, monumental.
Bem, tudo mudou quando Renato Russo gravou um CD em italiano. Ao mesmo tempo, nos primórdios da TV a cabo no Brasil, eu assistia à RAI e ficava espantado com a programação xumbrega: programas de auditório eram transmitidos o dia todo com uma sucessão de loiras a la Hebe Camargo, de maquiagem carregadíssima, a apresentar enquanto gritavam futilidades. Daí para o desdém não precisou muito, e eis me aqui tentando debochar copiosamente dos italianos.
É por isso que entendo quando Beguoci diz que a Itália é a São Paulo que não deu certo. Tem a balbúrdia paulistana, mas elege pela terceira vez o Silvio Santos local como primeiro-ministro. Berlusconi, o magnata da mídia da península, tem até o Silvio no nome. Eu acrescento: Berlusco é um mistão de Silvio Santos, Paulo Maluf e Sargento Pincel, aquele dos Trapalhões.
Reza a lenda que errar é humano, mas errar duas vezes é burrice. A terceira, então, é de uma babetice monumental. Agora, eu classificaria como inclassificável um país que elege pela terceira vez uma toupeira utópica que usa o discurso reacionário mais simplório e retrógrado possível: a ameaça comunista.
Pois bem, acreditar que os comunistas são um problema hoje na Europa é como acreditar no tutu-marambá. Diariamente, na campanha eleitoral, Silvio Berlusconi bombardeava seu adversário, Walter Veltroni, com todo aquele arsenal de afirmações dos tempos da Guerra Fria: Veltroni representa os comunistas infiltrados na sociedade italiana, Veltroni sonha com a volta da União Soviética, Veltroni é do mal. E, na realidade, Veltroni é só um tiozinho, um coitado sem carisma que está tão à esquerda na Itália quanto um PMDB da vida o está no Brasil. E foi este discurso chinfrim que fez com que 46% dos italianos votassem na direita nas eleições parlamentares, o que tornou o menino Berlusco premiê pela terceira vez.
Portanto, tem-se o seguinte cenário: a economia italiana está a caminho do beleléu, o desemprego aumenta, a população decresce, tem medo de estrangeiros, acredita em ameaça comunista e ouve Eros Ramazzotti. O que fazer?
Bem, sou um sujeito criado nas esquerdas de botequim. A esquerda remete a Karl Marx, tio-avô da Patrícia Marx. Ele sempre dizia que, ao diagnosticar um problema social, é necessário apontar uma solução. Eis a minha: a anexação da Itália pelo Brasil, o que apelidei carinhosamente de a anschluss tupiniquim.
Veja bem, a Itália seria para o Brasil o que o Suriname é para a Holanda. Além disso, ganharíamos fronteiras com a Áustria e a Suíça, fatalmente vizinhos muito mais elegantes que o Paraguai e a Bolívia, por exemplo. Em troca, os italianos receberiam de lambuja cinco títulos mundiais no futebol e uma facilidade impressionante ao vir ao Brasil para praticar turismo sexual, que é uma das poucas coisas que cativam os europeus aqui na América Selvagem.
Não é a melhor saída para os italianos, mas ao menos é uma saída. Porque, no ritmo atual, a Itália segue entalada na gôndola que leva o país rapidamente ao buraco da decadência, com Pepino de Capri acenando, ao longe, Ciao Amore, Ciao Amore, Ciao.
Em homenagem aos italianos, anuncio uma substituição em SorryPeriferia: sai a fotinho da Monica Lewinsky e seus lábios gulosos aí do lado, entra o Menino Berlusco, nosso ícone neo-renascentista.
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