Eu tinha 15 anos e era noite de Natal - e esse começo mais parece o início do conto da rena do nariz vermelho. Juro que não tem nada a ver. Prossigo: como de costume à época, meu pai pegava o fusquinha verde e se dirigia para as casas de alguns amigos para desejar boas festas. Eu sempre ia atrás. Era sempre um motivo pra ele ver a rapaziada, contabilizar os que morreram naquele ano, falar de futebol e de política, beber e comer os quitutes que as mulheres dos amigos dele preparavam: a torta de palmito da Dona Marli, o rocambole da Dona Nice, a queijadinha da dona Não-lembro-mais-o-nome. A gente voltava umas dez da noite e era bom porque passávamos menos horas agüentando a infinidade de tias-avós lá em casa, a maioria das quais sempre reclamando do preço dos remédios e a dizer que aquele seria o última natal da vida delas.
Neste natal específico, lembro de chegar com meu pai à casa de um amigo e ser recebido pela filha dele, médica que era uns dez ou quinze anos mais velha do que eu. Ela ofereceu cerveja ao meu pai e perguntou se eu queria uma. Meu pai logo interveio: "Ele não bebe ainda". Lembro que ela arregalou os olhos e disse: "Seu Roberto, você acha que esse moleque não bebe? Olha essa cara de beberrão. Pega essa cerveja, menino. Se não bebe ainda, vai começar agora. Já passou da hora de um homem desse tamanho começar a beber".
Lembro de pegar a cerveja na mão e contemplar o infinito, vitorioso. As pessoas vinham encher o meu copo igualzinho como faziam com os adultos, e ainda perguntavam minha opinião sobre as coisas. Ali eu deixava de ser somente o filho do meu pai para ser também gente grande. Nunca mais parei de beber.
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Há 16 horas
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