terça-feira, 12 de outubro de 2004

O CÉU É O LIMITE

Vou abandonar o jornalismo após o TCC. É. Estou escrevendo o roteiro de um filme. Pensei em me dedicar à literatura, mas essa não dá lucro e ninguém mais lê. Eis o enredo: 

Nos dias atuais, um rapaz vindo do interior mora na rua Pirineus, centro de São Paulo. Trabalha numa repartição pública que nem ele mesmo sabe ao certo qual é sua função. Leva uma vida absolutamente monótona. Certo dia, ao chegar em seu prédio após o expediente, recebe uma carta do governo dos Estados Unidos o convocando para lutar na Guerra do Vietnã. Fica desesperado. Vai pedir conselho aos vizinhos, pois ele nunca saiu do país e não tem idéia do que é lutar numa guerra. Um deles o aconselha a alugar filmes sobre a Guerra do Vietnã, e é o que ele faz. A trama toda se desenvolve com ele assistindo os filmes e, nos intervalos, indo nos bares da região contar sua história e pedir conselhos. Simultaneamente, ele vai até o consulado americano para pedir um visto de entrada nos States, porque, segundo a carta, é de lá que o destroyer em que ele servirá vai sair. Mas o cônsul não vai com a cara dele e dificulta as coisas. 

Todos dão conselhos: uns tentam fazer com que ele fuja e não vá lá, uma cafetina dá um santinho protetor pra ele pendurar no pescoço, um bêbado durão dá dicas de como pegar vietnamitas mais jeitosinhas. Em dado momento da trama, o personagem, curioso de como é lutar numa guerra, visita um veterano da Guerra de 32, que sofre de Alzheimer e não fala coisa com coisa. O fundamental é que ninguém diga durante o filme que a guerra do Vietnã já não existe mais, deixando o espectador desconfortável e xingando o roteirista. Estou pensando em Jean Paul Belmondo como o ator principal. 

Sou um gênio incompreendido. 99,9% de incompreendido, 0,01% de gênio. Mas minha mãe gostou, que é o que importa. Sorry, Hollywood.

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