Era dia. Período um pouco mais que matutino, naquela hora em que o pão na chapa do Monet já é passado, e a imagem de um contra-filé suculento deixa o estômago embriagado. Alunos se encontravam na frente da Sala Biondinho, esperando o resultado da banca de certa aluna de uma renomada instituição. Ao fundo do corredor, um busto e uma janela que exibia orgulhosa um sol resplandecente. Tudo parecia normal naquela hora, exceto pela ansiedade da aluna em questão.
Mas eis que surge, das cinzas, um vulto. Minhas sobrancelhas ergueram-se. Era ele. Sim, ele, o taquigrafista da Santa Ceia, o estagiário de Gutemberg na primeira imprensa, o correspondente da Gazeta na Revolta de Beckman. E lá foi ele atravessando a imagem do sol na janela para ganhar a passos lentos o corredor.
Meus olhos sorriram com a imagem dele passando em frente a janela. Ele em frente a janela. Ele e a janela. Janela.
Viva Tom Zé, 90!
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bairro paulistano de Perdizes, o perfil que escrevi para a Morel #4 (edição
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Há 4 semanas
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