sexta-feira, 7 de maio de 2004

ROBERTA NUA, CRUA E RODRIGUEANA

Durante uma troca de e-mails informais:

"Eu mato se descobrir a infeliz que lutou pela emancipação das mulheres. Queria ficar em casa cozinhando, vendo novela e tocando piano, meu pai podia escolher meu marido, ia ser tudo ótimo... mas não, a filha da puta foi queimar sutiã em praça pública... deu nisso."

Roberta S., estagiária da Editora Globo, uma mulher à frente de seu tempo.

CONTRIBUIÇÕES PASQUINIANAS

"Depois que os cientistas japoneses anunciaram a reprodução sem sexo de um camundongo criado por um casal de fêmeas e sem pai, conversei com minha amiga, o Almeidão, líder da ONG Poder Sapatão. Ela limitou-se a me dizer: "Não precisamos de vocês para porra nenhuma". (Nataniel Jebão)

"Se tivesse morrido há um ano, hoje faria um ano que o Senador Antônio Carlos Magalhães teria falecido. Se fosse há 35 anos, entretanto, seria ótimo". (Fernando de Castro)

quinta-feira, 6 de maio de 2004

TODOS ESTÃO SURDOS

Karen Cunsolo é uma das mulheres da minha vida. Me sinto à vontade pra dizer isso, uma vez que ela é mulé do meu brother Richard Muniz. Nesta sexta-feira encerro um ciclo de seis semanas trabalhando um andar abaixo dela, no qual todos os dias tomamos chocolate na sala de café ou comemos pizza na padoca da esquina.


Eu e Karen Cunsolo somos cúmplices de pensamentos politicamente incorretos e de piadas pesadas. Quando um elemento ordinário pinta na área, eu levanto a sobrancelha daqui enquanto ela pisca o olho de lá. Ao mesmo tempo.

Nesta sexta-feira eu vou ficar mais triste. Acostumei com essa presença pequena porém gigante no meu cotidiano. Como no início de ano, nos encontraremos provavelmente apenas nos bares da vida, uma vez por mês, talvez menos. E como eu lamento isso.

E ela não é a única que eu lamento.

Às vezes penso que deveria, por exemplo, passar seis semanas ao lado de Gabriel Falcione. Pra discutir o Palmeiras, a Verrazano-Narrows do Gay Talese ou, simplesmente, a vida. O mundo deveria estar cheio de estelionatários como Gabriel Falcione.

Da mesma forma, por onde anda Rodrigo Joselito, que sequer deu-se ao trabalho de me adicionar no msn? Por que não passamos benditas seis semanas voltando da Benedito Calixto completamente bêbados ao amanhecer, como em tempos passados? Por que eu nunca mais o espanquei quando ele cantou bêbado e não deixou ninguém dormir no meu apartamento?
Eu poderia citar também o próprio Richard Muniz, meu quase companheiro de Timor Leste, ou as siamesas Geiza e Maíra, ou ainda Daniel Patire, ou tantas outras pessoas as quais tenho mais afinidade do que aparento. Se eu fosse um cara menos displicente, daria aqui com todas as honras a lista completa de todas aquelas pessoas com quem converso menos do que deveria conversar, com quem bebo menos do que deveria beber, com quem deveria passar seis semanas com a mesma cumplicidade com a qual passei com Karen Cunsolo.

E na falta de todas essas possibilidades, a Karen fica como símbolo. Nesta sexta-feira ela representa pra mim o que todo esse grupo de pessoas sempre significou. Muito do que sou, e principalmente muito do que quero ser, terá sempre como foco essas pessoas.

Que não esqueçam disso.

quarta-feira, 5 de maio de 2004

Ó TEMPORA, Ó MORES



*** Cientistas da Universidade Anhembi-Jundiaí confirmam: o refrão Difícil é ter você perto dos olhos, mas longe do meu coração é mal interpretado por cegos e safenados em geral;

*** Ratos que viviam no porão da Academia Brasileira de Letras abandonaram sua moradia em protesto frente a posse de Marco Maciel na cadeira 39 do recinto. Indignados, os roedores mudaram-se para a Rocinha. "O clima lá está menos tenso", teria comentado um dos retirantes;

*** Toda vez que vejo Dado Dolabella sendo entrevistado por Lyon Wolff e afins, entendo todo o sentido intrínseco existencial do Auto da Barca do Inferno. Aliás, Dado, você tem dado em casa? (piada óbvia, porém deliciosamente necessária);

*** 25 habitantes da parte de baixo do Minhocão suicidaram-se de alegria ao saber do novo aumento do salário mínimo. Economizando mais 45 anos, poderiam comprar um apê em Higienópolis. E ainda reclamam do ministro Paloffi;

*** Filme pornô com o Alexandre Frota é zoofilia;

*** Fernando Vives, 23, é dublê de jornalista e autor do best-seller 'Quem mexeu na minha mortandela?';

*** La situacion ces´t periclitant.

terça-feira, 4 de maio de 2004

Hoje é aniversário de Kátia Mello. Os deuses devem estar felizes. Não há festa que caiba no Monte Olimpo para ela. Alegria deste que vos fala.

O QUE TE TROUXE A ESTAS BANDAS, GULLIVER?

O chuva que tomou conta de São Paulo – que ameaçou desabar o mundo mas que não encheu um copo d´água – deu origem a um arco-íris cuja ponta acaba aqui no jardim desta editora. Reza a lenda que no final de todo arco-íris há um anão tomando conta de um pote de ouro. O anão eu já vi – Karen C., estagiária lilliputiana local. Aguardo maiores informações sobre o paredeiro do pote de ouro.

segunda-feira, 3 de maio de 2004

Enquanto isso, no Globo Online

Juliana Paes ao alcance da mão

Sensacional manchete de duplo sentido. Ao alcance da mão porque a Playboy dela está nas bancas, ao alcance da mão porque...sim, oras. Repare a foto de capa, com as partes confortáveis da moça ao vento. Como diria Chico Buarque em fins dos anos 70, em Tango do Covil:

Benvinda, tua beleza é quase um crime,

Tu és a bunda mais sublime,

Aqui deste covil.

Como sempre, Chico Buarque 25 anos na frente da concorrência.

sexta-feira, 30 de abril de 2004

DESAFIO EM PINES TREES

Quase todos os dias em que um jornalista urso não identificado sai do trabalho, encontra uma ratazana de dois palmos ariscamente cruzando a rua do ponto final de seu ônibus. Ele:

a) Fica apavorado e se junta às baratas que habitam o outro lado da rua. Em terra de cego, quem tem um olho está mais sujeito a ilusões de ótica. 

b) Pisa, bate e leva o rato pra guardar na despensa de casa, armazenado em sal grosso. O Brasil é um país em crise e nunca se sabe o que teremos na jantar no dia de amanhã;

c) Convida a ratazana para um colóquio no Toca da Angélica, a fim de ambos analisarem-se psicologicamente. Ela, uma ratazana na sua condição de desbravadora de bueiros enquanto sobrevivente, ele, alguém que tenta percorrer os bueiros de sua memória para descobrir em que momento começou a cometer erros tão estúpidos e auto-degradantes. Como conversar com ratazanas;

d) Pisa, empalha, e a coloca na estante de seu apê como tóten, ao lado da caminhonete verde que seu avô lhe deu como presente de batizado, dois meses antes de morrer;

e) Morde-se de inveja pela ratazana poder enfiar-se em algum bueiro quando o mundo cai sobre sua cabeça, enquanto ele tenta matar seus fantasmas na base de chineladas.

A vida não dá presente a ninguém. Se você quer uma vida, aprenda a roubá-la, alguém já disse. Não me ensinaram isso na escola.

quarta-feira, 28 de abril de 2004

NOTAS FOTOJORNALÍSTICAS











RECORDAR É VIVER - L. Beguoci, F. Corizza (de peruca) e F. Flor durante os primeiros dias na Cásper Líbero: descobrindo as maravilhas da Comunicação Social. 

segunda-feira, 26 de abril de 2004

VIVES, POR MACHADO DE ASSIS

" - Não te assustes, disse ela, minha inimizade não mata; é sobretudo pela vida que se afirma. Vives: não quero outro flagelo.

- Vivo? perguntei eu, enterrando as unhas nas mãos, como para certificar-me da existência.

- Sim, verme, tu vives. Não receies perder esse andrajo que é teu orgulho; provarás ainda, por algumas horas, o pão da dor e o vinho da miséria. Vives: agora mesmo que ensandeceste, vives; e se a tua consciência reouver um instante de sagacidade, tu dirás que queres viver. "

 Memórias Póstumas de Fernando Vives, que Machado de Assis escreveu do além e dedicou aos vermes que primeiramente roeram suas frias carnes.